DATA: 19/12/2007


Seguradora da Caixa Economica Federal tem prejuizo de 500 milhões!

Auditoria na Caixa Econômica Federal (CEF), a pedido do Ministério Público Federal, aponta irregularidades nos negócios com a Caixa Seguradora, controlada pela francesa CNP Assurances, da qual a Caixa é acionista. O relatório preliminar, concluído na semana passada, indica que o prejuízo da Caixa desde 2001 pode superar os R$500 milhões em valores presentes.

A auditoria apontou que a instituição mobiliza milhares de empregados para vender produtos da seguradora em troca de tarifas irrisórias. Pelos cálculos dos auditores da própria Caixa, a folha de pagamento da instituição é de R$520 milhões por mês, enquanto o repasse médio mensal feito pela seguradora foi de R$1,560 milhão entre julho de 2001 e junho de 2006. O banco ficaria com apenas 40% das tarifas cobradas dos clientes pela venda de previdência privada e seguros. Os auditores defendem que a Caixa teria direito à totalidade das tarifas.

“Pode-se considerar tais valores irrisórios, longe de cobrir os custos da prestação de serviços, que mobiliza milhares de empregados da Caixa, a estrutura de milhares de agências, superintendências e matriz, fato que evidencia déficits ou prejuízos mensais que estimamos em mais de R$100 milhões”, diz o documento a que a Agência Estado teve acesso. O cálculo considera só a mão-de-obra de 20% dos empregados, não os custos com a estrutura da matriz, filiais e superintendências regionais. O documento também afirma que a Caixa está assumindo riscos significativos ao captar recursos com a venda de previdência privada e títulos de capitalização e consórcios e repassá-los à Caixa Seguradora. O dinheiro é transferido principalmente para o HSBC Banking, que administra os ativos da seguradora. “Fato que permite à CNP Assurances dar a tais recursos a destinação que lhe convier”, diz o documento.

Os auditores alertam que os valores estão sem garantias e defendem que eles deveriam permanecer na Caixa, que é garantidora dos recursos perante os clientes. “Como tais recursos, captados em agências da Caixa, são repassados para a Caixa Seguradora, que, por sua vez, os repassa para o HSBC, a Caixa Econômica está deixando de contabilizar a seu favor as receitas de tais ativos”.

Segundo os auditores, as irregularidades são possíveis porque Emílio Carazzai e Valdery de Albuquerque, respectivamente, presidente e diretor da Caixa na época, exorbitaram de suas atribuições e abriram mão do direito da Caixa de exercer a maioria no conselho de administração da seguradora, conforme determinado pela diretoria colegiada da Caixa, em 29 de junho de 2001. (AE)

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